Eu me aceito e depois você confirma

A aceitação de nós mesmos é imprescindível para sermos quem somos. Quando nos aceitamos, quebramos as barreiras dos preconceitos que inventamos com nós mesmos. Deixamos de lado imposições convencionais com relação ao tamanho do nosso corpo, a espessura do nosso cabelo e como devemos ser sem nossa vontade própria.

Quando passamos a aceitar nossas imperfeições físicas; nosso peso a mais ou de menos; nosso nariz torto, grande ou feio; nossa boca grande ou minúscula; nosso rosto largo ou magro, a falta ou excesso de bumbum, o quadril estreito ou avantajado, as pernas delineadas ou tortas, nossa estatura grande ou pequena, nossos seios enormes, pequenos, flácidos ou murchos, nossa cintura grossa ou fina... Quando nos aceitamos, esses padrões exigidos pela sociedade e pela cultura, não tem quaisquer significados, porque o mais importante é ser feliz, mesmo se a calça jeans grita: que aperto!

Não é nada bom ficar cheio de neuras, querer ter um corpo de quinze, vinte anos atrás, ter vergonha da aparência, porque quando somos apegados a esses detalhes significa que ainda não descobrimos que somos melhores do que isso e ainda não decidimos quem somos.

Tenho amigos de todas as tribos e naipes, mas os melhores são aqueles que se preocupam em ser felizes e livres. Uma pessoa que se aceita, mesmo não sendo impecável na aparência, transmite bom humor e carinho, sabe se proteger das tempestades e sobrevive em qualquer estação do ano, mesmo se os números das roupas aumentaram ou algumas partes do corpo caíram.

Não basta apenas aceitar a nós mesmos, é preciso nos amar. Quem ama a si mesmo, vive liberto das propagandas enganosas e tem sua opinião própria. Quando começamos a aceitar nosso jeito de ser, entendemos que para viver feliz não depende de perfeições, belezas e poder, porque o mais importante é saber quem se é, se aceitar, e isso independe de estética ou dinheiro.

Mais vale um alguém que ama a si mesmo e que se aceita do que uma pessoa que não entende a si próprio ou não se reconhece. É muito triste quando há empecilhos entre você e você, quando a não aceitação fala mais alto e decide te definir.

Como é bom sentar a mesa e comer o que tem vontade, ver um doce ou bolo e degustar com prazer, olhar para o rosto mesmo que não seja bonito e que é seu, deparar com algum detalhe físico que não gosta e não estar nem aí, porque isso não passa de defeito de fábrica, nada mais do que isso. E que se dane, porque você sabe quem você é. Que se dane, porque sua vida depende do seu amor próprio e, quem se ama, logo, se aceita.

A aceitação começa em nós, nunca no outro, porque quem se aceita, logo se conhece, e não se enquadra em qualquer exigência da moda e dos outros; e nem sujeita mudar para ficar com alguém ou ser amada. Quem se aceita, sabe quem é, e não precisa de decisões de terceiros ou definições. Primeiro você se aceita e depois o outro confirma.

- Simone Guerra

Autor do post Simone Guerra

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