Amor próprio é libertador

Muitas vezes nos humilhamos, damos nossas caras a tapas, mas um dia cansamos de mostrar fragilidades, e percebemos que para se entregar a alguém, a algum sentimento, os limites são necessários também. O "gostar intenso" nos cega e pode chegar ao extremo do ridículo, quando esse alguém não sente o mesmo por nós.

Enquanto esse gostar nos faz reféns, o amor é calmo e sem qualquer violência ou atentado contra o outro. O amor é suave como a brisa que acalma os dias intensos. O amor é aquele sentimento despreocupado, natural, que acontece em apenas um toque singelo, quando a mão dele acarinha nosso rosto com a intenção de nos pertencer.

Somos violentados nos relacionamentos quando nos entregamos por completo a alguém, e ele nos vê apenas como mais uma. Vivemos romances medíocres, quando grudamos em alguém, corremos atrás, movemos o mundo, enquanto ele finge não perceber e nos coloca na dianteira da vida dele. Somos violentados quando o outro finge não ver que doamos a ele o tempo todo, adaptamos horários, deixamos algum projeto e o sonho ser adiado.

Desdobramos em função de alguém que não está nem aí para o que estamos fazendo. Esse relacionamento unilateral, nunca acaba bem e, se estender até ao casamento, vai ter uma separação ou alguém vai sofrer uma vida inteira. Quanta violência contra o outro! Quanta violência contra o amor de alguém.

Quantas vezes somos imaturas ao procurá-lo, mandando infinitas mensagens sem respostas, ligamos e ele não atende, quando fala conosco parece ter pressa ou não nos trata bem. Quando vezes em tom seco, sem qualquer emoção, ele nos responde porque é educado e nós insistimos em um sentimento de mão única. É nossa psicose em insistir. Somos problemáticas demais quando estamos afim.

A violência contra os sentimentos é o mais comum nas relações. Há pessoas que tem o prazer de jogar com o sentimento alheio e elas se autoafirmam diante do gostar de alguém. Esse joguinho de sedução apenas nos afirma que, mesmo que rastejamos por alguém que não se envolve com nós ou que está apenas jogando, ainda somos melhores, porque temos a capacidade de viver a realidade de um sentimento, enquanto que o violentador pensa ser feliz.

Quando cansamos de nos colocar em segundo plano em um relacionamento, descobrimos que há outras chances de se viver um amor verdadeiro e livre. Pois, ninguém precisa de um romance humilhante ou de um relacionamento em que ele nos coloca dentro do freezer de indiferenças. Não merecemos ser colocadas de lado ou sermos deixadas em algum canto, precisamos de um alguém que nos queira bem, que nos trate como pessoa e que não nos faça distante.

A nossa fragilidade um dia se cansa e deixamos de sermos entregues para sermos admirados. Um dia não permitimos mais tanta violência contra a nossa dedicação e trocamos a frieza dele por um outro alguém mais sedutor do que distante. Amar a nós antes do outro, porque amor próprio é libertador e envolvente.

Autor do post Simone Guerra

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