Quando um passado nos incomoda

Só temos a certeza que tudo acabou, quando vemos que, ao lado da outra, ele se completa. De repente, você olha para a alegria dos dois de mãos dadas e percebe que esse detalhe ainda mexe com os seus sentimentos. Não suportamos, um nó na garganta quase rompe em um grito de choro, mas precisamos nos segurar, pois estamos na cena do confronto: ele com ela felizes, e nós sozinhas.

Quando o romance termina, vivemos um momento de inércia para pensarmos melhor em nossas vidas ou recomeçarmos. É o momento do isolamento. É o momento em que todos tentam nos consolar com frases feitas e abraços amigos, mas não os escutamos. Tudo soa sem vida e sem vontade. É o momento que estamos curtindo a dor, pensando no que foi e como vai ser agora.
           
Não vamos receber as ligações dele naquela hora que sempre ficávamos esperando. As comemorações juntos vão ser com a outra pessoa. A família dele não nos pertence mais. Os amigos em comum vão fazer suas escolhas, se vai ser com nós ou com ele a amizade. Tudo se reparte, se divide, no fim alguém chora e, o outro, segue mais rápido para começar mais uma vez.

E, de repente, estamos ali na cena, vendo ele com a outra. O tempo passou, aquele luto da perda, já vencemos, mas vendo ele feliz com ela linda a tira-colo, é apunhalar nosso coração mais uma vez. Então, as memórias entre nós e a frustração de que passou para sempre, desinquieta nossas emoções.

Ninguém está imune as decepções e as tristezas, mas a sensação de perda para sempre, é a pior delas, particularmente, quando a relação ficou para trás, quando ele decidiu migrar para outra pessoa ou quando não tinha mais como dar certo.

Na perda há vazios, há comparações e há desajustes emocionais. Temos aqueles sentimentos de angústia e de revolta e de desejar infelicidade. Olhamos para ele e temos aquela sensação que se dane da boca prá fora. Desejamos, praguejamos e perdemos o controle. Não é vexame. Não é loucura. É não suportar aquela cena patética e desgraçada dele com a outra de mãos dadas. É picar em pedacinhos as esperanças que tínhamos.

Os dois agora são amigos, confidentes e amantes. Ele era meu todo assim, mas agora é dela. Eu sigo sozinha contando os dias para que as lembranças dele possam partir de vez, enquanto ele ama a outra todos os dias, como fazia quando éramos um casal perfeito. Não é curtir dor de cotovelo, ruminar passado, é ser alguém apaixonado por alguém. Quem tem sentimentos não padece de solidão, mesmo que estejamos sozinhas. Sentir na veia das emoções a perda de um amor, é viver com dignidade um sentimento. É assumir que o relacionamento foi especial, mas que não pôde durar até o altar.

Ninguém é tão imune a ponto de não sentir nada ao ver um ex acompanhado ou que ele vai se casar. Ninguém é frio ou intacto que não sente qualquer emoção ao ver ele com alguém depois de alguns anos ou ter notícias. Nem que seja raiva, vamos sentir.

Precisamos de ver a cena dele acompanhado para cairmos na real, de que ele se refez e está feliz. E você? Eu? Vamos doer mais um pouco até descobrirmos um novo alguém para colocar sorrisos em nossos rostos e massagear nossos sentimentos com amor.
                                   
A vida tem dessas coisas, e tantas outras mais... Mas quando é amor do passado, sentimentos de longos anos por alguém, não tem como esconder de nós mesmos, que a outra nos incomoda muito e remexe nosso sentimento adormecido ainda não curado.

- Simone Guerra

Autor do post Simone Guerra

1 comentários :

  1. Amei. Já estou imaginando isso. Viver perto dele, sem ser mais meu.

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