08 novembro 2015

Síndrome do Pânico, medos que te abraçam sem piedade

De repente, um medo e uma coleção de pavores se instalam. Depois de instalado, a Síndrome do Pânico dá um jeito de ficar entre as rotinas dos nossos dias nos fragilizando. Ficamos em estado de alerta após as primeiras crises. O cérebro se condiciona ao pânico e nos dita a hora de sentirmos em doses ordinárias, o medo. Nos sentimos frágeis, tristes, e em constantes expectativas ruins que todos os sintomas aparecerão mais uma vez...

Se desencadeia a Síndrome do Pânico devido a vida turbulenta e acontecimentos inesperados, trágicos. Pode estar ligado a depressão ou ao estresse. Pode acontecer após a perda de alguém ou algum trauma. Pode ser decorrente de outras doenças e pode aparecer do nada.

Esse tal medo vem acompanhado de tremores, medo eminente da morte, medo de enlouquecer ou perder o controle, taquicardia, sudorese, sensação de flutuação (como se o espírito estivesse saindo do corpo), formigamento e dormência pelo corpo ou partes dele. Uma dor no peito que parece infarto, perdemos o ar e a respiração fica ofegante. O pânico é tão covarde, que precisa do nosso corpo para se fazer em sintomas de pavores, nos faz vulneráveis e pessoas à nossa volta não entendem. O medo de morrer, de enlouquecer, talvez, sejam os piores deles.

Depois das crises, podem aparecer choros. E o medo do medo, olha para nós, confrontando nossa rotina com aquele sadismo de "até a próxima vez". O medo nos faz reféns e pode nos trancar dentro de casa por algum tempo, por anos. Ele devasta os nossos risos em troca de tensões.

Pode parecer loucura. Pode não ser entendido por muitos. Pode ser falta de serviço. Pode ser patético. Pode ser desculpas para encarar a realidade. Pode ser... Rótulos que carregamos porque não temos como explicar o que é uma crise de pânico, apenas quando o sentimos instalado em nós. As más informações acerca da doença, que não é "piti", causa indiferença, consternação ou preocupação entre nós e o outro.

O medo do medo, não presta, não vale nada. O medo nos castiga, nos joga na lama e nos faz sentirmos impotentes. A crise aparece em qualquer lugar, e quem nos socorre, pensa que somos loucos, problemáticos. Somos levados para o pronto socorro muitas vezes, fazemos todos os exames e nunca se tem diagnósticos.

Tudo no nosso corpo está bem, mas estamos doentes com tantos sintomas estranhos ao mesmo tempo, até que algum médico nos aconselha a procurarmos um psiquiatra ou um neurologista. E alguns médicos, mesmo conhecendo a doença, nos olham com dúvidas, nos observam com aquele olhar que nos diz: frescura, chatice, essa pessoa aqui de novo, isso não existe. Se o doutor não acredita no medo do medo, imagina nossas famílias, nossos amigos, nossos colegas que vivem nos socorrendo. O que as pessoas não entendem, é que a síndrome do pânico são medos que nos abraçam sem piedade, sem explicações para o mundo.

Temos que ser fortes, respirar fundo em cada crise, experimentar vários remédios, até que algum deles faça o efeito necessário. Medicação, terapia e terapias alternativas, eis a grande ajuda para muitos. Ficamos limitados, dependentes de remédios e nos fechamos no nosso mundo paralelo.

A ansiedade, o estresse, a depressão e outras doenças que nos dão de presente a síndrome do pânico, são impiedosas e não se preocupam em nos atirar no precipício dos medos. E, por desespero, algumas pessoas ainda procuram ajudas espirituais com gurus, médiuns, curandeiros, ou viverão até que uma cura instantânea possa resgatá-los daquela armadilha.

A Síndrome do Pânico não tem idade, identidade, apenas atiça o inferno nos cotidianos, querendo se autoafirmar na fragilidade das pessoas. Não tem como explicar tais sintomas, apenas quando se vive. Pode parecer sem explicação... E daí? Se há coisas íntimas gostosas de se sentir e não temos como explicar, por que deveríamos ter explicações para o pânico que é covarde e mau caráter?

O mundo contemporâneo, tão apressado, cheio de contradições, com agendas lotadas, muitos afazeres, nos fazem máquinas, e quando nos explodimos em medos, percebemos que o nosso humano precisa daquele conserto de paz e alívio.

Esses medos... Os outros medos... Todos os medos, nos colocam contra o muro da realidade em se viver melhor, é verdade! A fuga? Vai ser individual, porque cada pessoa vai, aos poucos, descobrindo qual o melhor remédio, a melhor alternativa para que o tratamento seja mais eficaz. Quando se desencadeia a primeira vez, carregamos o medo em segredo nos pensamentos, quem sabe, uma vida toda. Para quem conseguiu sobreviver e vencer os malditos sintomas, por favor, viva melhor a cada dia.

- Simone Guerra

12 comentários:

  1. Perfeitamente descrito o que muitos tem e sentem na alma...

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  2. O melhor dos melhores textos que ja li sobre...parabéns!

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  3. O que eu queria dizer o que sinto totalmente esta nesse texto... Parabéns

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  4. Exatamente isso que vivo ! belo texto , parabéns .

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  5. Pois é... meu psiquiatra fala para mim, que toda crise de pânico eu devo ir a um hospital, ja que mtas dessas crises eu penso muito em suicídio. .. porém qdo chego no hospital todos ja me olham daquele jeito, tipo neh... vai trabalhar q tudo se cura, enfim eh muito difícil. remédios eu ja nao tomo mais, acho que só piora, hj só acredito em um medicamento, Deus. .. só ele tem o poder da cura, só ele...

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  6. Há 7 meses sofro com isso de fui 5x no pronto socorro até que uma médica acreditasse em todos os sintomas. Sofri muito e ainda sofro pq qndo penso que passou tem uma coisa nova que aparece de repente pra me tirar a paz agora estou numa fase que minha voz fica diferente por ser ansiosa demais já estão tirando sarro da minha cara penso antes de pronúncia algumas palavras as vezes é difícil entender pq estou assim . talvez sem querer eu questiono Deus mais também acredito que tudo vai passar é só questão de tempo .

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  7. Meu filho tem apenas transtorno de ansiedade e a vida não é fácil. Tem 10 anos, nunca fica sozinho, durante as noites entra em pânico, não consegue dormir, chora desesperadamente. Temos que levantar e ficar ao seu lado até que adormeça novamente. O medo é grande.Temos esperança que essa fase que já dura dois anos passe.

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  8. Respostas
    1. Me descreve nas minhas crises antes dos medicamentos.

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  9. Tenho passado por isso a 6 meses,ja a varios medicos fiz muitos exames e nao tinha nada fisico,agora estou melhor mas pensamentos de medo me acompanham sempre estou tentando con
    viver com isso

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  10. Muito delicada a forma pela qual abordou essa terrível doença, pois quem acha que é frescura pôde entender o que nós passamos com essa tortura que se instala em nossa vida. Obrigada.

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  11. Esse texto explica bem o que não conseguimos explicar.

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